Início da primavera de 1939. Um soldado, artista (?), toma o rumo da província Shaanxi para recolher algumas canções, anota-las, para depois levar até ao governo chinês. Ele vem de Yan'an. As canções deveriam ser ensinadas, agregadas a massa militar. O objetivo é a simpatia: dois anos antes, afim de conseguirem reforço à guerra contra os japoneses, o governo decidira reconhecer uma região fronteiriça no norte chinês, e para isso, não se pode reconhecer à distância. É preciso achar um lugar por onde faça passar a identidade. Fazer o norte simpatizar ao seu oposto. Por isto, no fundo, o filme mostra um diálogo do sul com o norte.
O soldado Gu Qing, ou Lao Gu, marcha e suas armas são um caderno e uma caneta: escuta vindo de algum lugar um lamento sobre os trabalhos sazonais. Sobre a tarefa de espalhar sementes, farelos. Depois chega à comunidade e é apresentado aos moradores. Acontece uma cerimônia matrimonial. Um outro canta em meio aos outros canção de tristeza. Na comunidade, Lao Gu fica pouco tempo. O filme se reduzirá ao núcleo familiar do "tio" onde o soldado irá estabelecer seu contato, e tentará realizar sua tarefa.
O tio, o qual não tem mais esposa, vive com seus dois filhos: Cuiqiao, uma garota de 13 anos, e o garoto Hanhan. Ela pega água no rio Amarelo. E canta. Também fala. O garoto Hanhan não fala. O tio se recusa a cantoria. A conversa entre Lao Gu e o tio revela o sul tentando entender o norte. Questões matrimoniais. No sul, as coisas mudaram. Segundo o tio, no norte, são os camponeses que fazem as regras. Os sogros são arranjados. Assim fora feito já com uma filha. O amor não precede o matrimônio: ele brota das sementes. As sementes são todas as costuras, os acordos, o próprio casamento. O amor é consequência. É esta a crença do pai. Cuiqiao também seguirá esse "destino".
O miolo significativo do filme é quando Lao Gu ajudará com a aragem. Trabalham junto a ele o tio e Hanhan. As simples palavras do tio dizem o que é a terra amarela. A colheita está sempre arriscada porque o céu pode nublar, mas pode não chover. As sementes, porém, não perdem. Basta pisar "na terra amarela, você ara". Desde que se respeite a terra. Na hora da refeição come-se milho de dois anos. Ora, ele não está estragado porque se a semente não se perde o fruto também não vence. Durante a refeição o tio retoma a curiosidade sobre o soldado colher as canções. Por que fazê-lo. Não há, segundo ele, motivo para colher canções amargas. Perguntado se canta, responde que não está feliz nem triste. Logo, não há motivo para cantar. Só o faz quando a vida fica difícil. Fora desta situação, cantar não tem sentido. E daí perguntar novamente qual a necessidade de colher canções. Lao Gu diz que são palavras novas que serão dadas pelas canções. Elas animarão o exército a espalhar aos lugares sobre o fato das mulheres serem mal-tratadas, sobre a fome e o sofrimento. Não fica bem claro aqui, mas podemos especular, que a colheita destas canções representam os frutos da vida do distrito Shaanxi. Ali se passava fome, ali se maltratava mulheres. Pode ser, mas Lao Gu informa que o exército se inflamará na luta contra os inimigos. Ele faz uma propaganda do governo chinês: Mao gosta de canções populares; as crianças devem aprender a ler e escrever; os pobres devem comer. O diretor expõe a panfletagem política do momento? Poderemos, quem sabe, retornar a este ponto. Neste filme, nos movimentamos em seu interior.
Passa-se a outra cena onde, enfim, Hanhan canta algo de teor irônico. Lao Gu ri às estribeiras. Hanhan continua sem falar, mas decide cantar. Lao Gu depois reencontra Cuiqiao. Ela está pesarosa com a notícia de que foi prometida. O casamento acontecerá. Passa por sua cabeça entrar para o exército. Seria uma fuga. Ela pergunta porque Lao Gu está partindo. É janeiro. Ele explica que tentará ver sobre a possibilidade dela se alistar. Diz também que deverá, caso queira ser soldado, esperar ser admitida. E não há chance de mudar as regras. Elas devem ser respeitadas. Aqui a China se encontra: os camponeses fazem as regras e cumprem-nas. Os soldados não as fazem, mas respeitam-nas. Não se sai do regramento. Sua fonte é diferente, mas no cumprimento, ele se equipara.
Na despedida de Lao Gu, Cuiqiao canta um louvor aos camaradas, ao exército. Parece que a mensagem foi semeada. Mas não era para se recolher canções? No fim, por fim, Lao Gu inverte seu papel de ouvinte e passa ao de falante, professor. Lao Gu se despede. Mostra-se também, brevemente, os preparativos da despedida de Cuiqiao rumo ao casamento. Mostra-se uma marcha militar após. Esta marcha militar representa o sul. É o coletivo. O coletivo do norte será apresentado depois. No intermezzo, Cuiqiao despede-se do irmão. Ela decidiu partir até Yan'an. Hanhan grita e ela não aparece mais. Só se vê as águas do rio Amarelo.
Lao Gu retorna à casa e não encontra ninguém. O espaço de tempo não é informado. O filme encerra com o tio lamentando a seca que existe no sul tanto quanto no norte (aqui de novo os dois se encontram). São muitos homens. Tanto o tio quanto os outros oram ao Rei Dragão. A sua figura é fálica. Surge em meio aos indivíduos. Eles tem vegetação na cabeça. Representa o desejo da terra verde enquanto preocupação sobre suas cabeças? O Dragão deverá trazer a chuva. Figuras de yin e yang, o falo fecunda a terra. Entrecortes de cena: os homens disparam em corrida enquanto Lao Gu caminha. Um e outro são mostrados. Ouve nos últimos segundos mais uma vez Cuiqiao. Se há poucos instantes o tio pedia ao Dragão que salvasse o seu povo, na canção de Cuiqiao diz-se que são os comunistas que salvam as pessoas. Quem salva quem? Ou quem poderá fazê-lo?
Passa-se a outra cena onde, enfim, Hanhan canta algo de teor irônico. Lao Gu ri às estribeiras. Hanhan continua sem falar, mas decide cantar. Lao Gu depois reencontra Cuiqiao. Ela está pesarosa com a notícia de que foi prometida. O casamento acontecerá. Passa por sua cabeça entrar para o exército. Seria uma fuga. Ela pergunta porque Lao Gu está partindo. É janeiro. Ele explica que tentará ver sobre a possibilidade dela se alistar. Diz também que deverá, caso queira ser soldado, esperar ser admitida. E não há chance de mudar as regras. Elas devem ser respeitadas. Aqui a China se encontra: os camponeses fazem as regras e cumprem-nas. Os soldados não as fazem, mas respeitam-nas. Não se sai do regramento. Sua fonte é diferente, mas no cumprimento, ele se equipara.
Na despedida de Lao Gu, Cuiqiao canta um louvor aos camaradas, ao exército. Parece que a mensagem foi semeada. Mas não era para se recolher canções? No fim, por fim, Lao Gu inverte seu papel de ouvinte e passa ao de falante, professor. Lao Gu se despede. Mostra-se também, brevemente, os preparativos da despedida de Cuiqiao rumo ao casamento. Mostra-se uma marcha militar após. Esta marcha militar representa o sul. É o coletivo. O coletivo do norte será apresentado depois. No intermezzo, Cuiqiao despede-se do irmão. Ela decidiu partir até Yan'an. Hanhan grita e ela não aparece mais. Só se vê as águas do rio Amarelo.
Lao Gu retorna à casa e não encontra ninguém. O espaço de tempo não é informado. O filme encerra com o tio lamentando a seca que existe no sul tanto quanto no norte (aqui de novo os dois se encontram). São muitos homens. Tanto o tio quanto os outros oram ao Rei Dragão. A sua figura é fálica. Surge em meio aos indivíduos. Eles tem vegetação na cabeça. Representa o desejo da terra verde enquanto preocupação sobre suas cabeças? O Dragão deverá trazer a chuva. Figuras de yin e yang, o falo fecunda a terra. Entrecortes de cena: os homens disparam em corrida enquanto Lao Gu caminha. Um e outro são mostrados. Ouve nos últimos segundos mais uma vez Cuiqiao. Se há poucos instantes o tio pedia ao Dragão que salvasse o seu povo, na canção de Cuiqiao diz-se que são os comunistas que salvam as pessoas. Quem salva quem? Ou quem poderá fazê-lo?
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